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Assunto: Reforma Protestante: história, ensinos e legado.
Lição: Jovens e Adultos
Trimestre: 4° de 2017
Comentarista: Pr. Gilmar Vieira Chaves
Editora: Central Gospel
TEXTO BÍBLICO BÁSICO
Hebreus 11. 1-11
1 ORA, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem.
2 Porque por ela os antigos alcançaram testemunho.
3 Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.
4 Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala.
5 Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus.
6 Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.
7 Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé.
8 Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia.
9 Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa.
10 Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus.
TEXTO ÁUREO
A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca e lha anunciarás da minha parte. Ezequiel 33.7
SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO
2ª feira - Hebreus 12.1: Deixemos o pecado e todo embaraço
3ª feira - 1Coríntios 5.1-8: Os asmos da sinceridade e da verdade
4ª feira - Efésios 1.15-23: Iluminados os olhos do entendimento
5ª feira - Tito 3,1-7: Herdeiros segundo a esperança
6ª feira - Hebreus 10.19-23: Fiel é o que prometeu
Sábado - Provérbios 13.12: O desejo chegado é árvore de vida

 
OBJETIVOS
Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá:
•  identificar os principais líderes da Reforma Protestante;
•  entender que esses homens estavam prontos a dar a vida, como vários deles o fizeram, para corrigir os desvios teológicos vigentes à época, marcando assim um novo tempo;
•  refletir sobre o nosso papel frente à necessidade de termos uma Igreja sempre reformada, conforme Lutero pontuou.

ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
Caro professor,
O maior fator de segurança para quem ensina é o domínio do assunto. O professor deve planejar com esmero cada uma de suas aulas, e esse planejamento exige sempre muita dedicação e estudo.

Jesus retirava subsídios para Seus ensinos de duas fontes principais:
•  Escritura — a ela o Mestre fez abundantes referências, pois conhecia profundamente o texto Sagrado do Antigo Testamento;
•  mundo circundante — observando o mundo natural e os fatos do cotidiano, Ele enriqueceu tremendamente o Seu ensino com lições inesquecíveis por sua pertinência. Busque incessantemente o conhecimento bíblico.  Esteja atento aos fatos cotidianos. Seja um observador da Natureza e dos acontecimentos sociais à sua volta. Excelente aula!
COMENTÁRIO
Palavra introdutória
A Reforma Protestante foi um grande divisor de águas que deixou marcas indeléveis na caminhada da Igreja na terra. Embora alguns personagens tenham destacada participação nessa obra singular, ninguém pode reivindicar para si a sua autoria isolada. O que aconteceu naquela ocasião foi obra do Espírito Santo, pela instrumentalidade de várias pessoas que, dentro da sua época e contexto de vida, promoveram uma mudança radical na maneira de interpretar as realidades espirituais e entender os grandes temas da teologia bíblica.
 
Esses homens extraordinários, sobre os quais estudaremos nesta lição, enquadram-se no grupo dos pré-reformados ou dos reformados.

1. OS PRINCIPAIS PERSONAGENS DA PRÉ-REFORMA

1.1. John Wycliffe (1324-1384)
John Wycliffe nasceu na Inglaterra em 1324. Ele foi aluno e professor da Universidade de Oxford e é considerado um dos precursores da Reforma Protestante. Wycliffe deixou dezenas de obras escritas, em inglês e latim, além da primeira tradução da Bíblia para o inglês. Seu intuito era oferecer ao povo uma Bíblia isenta da manipulação romana, que incluía os livros apócrifos.

John Wycliffe combateu as distorções romanas, condenando a posse de propriedades pêlos padres, o pagamento de indulgências e a corrupção geral do Clero. Ele pregava a moralização da Igreja e o afastamento das lideranças comprometidas com práticas sabidamente pecaminosas; reafirmava a autoridade suprema das Escrituras; e, além disso, negava terminantemente a condição do Papa como substituto de Pedro e cabeça da Igreja (Mt 16.18), reafirmando que ' o cabeça da Igreja é Cristo (Ef 1.22,23).

1.2. John Huss (1369-1415)
Huss nasceu na cidade de Husinec, a 75Km de Praga, na República Tcheca. Estudou na Universidade de Praga, onde, foi também professor e reitor; foi um grande pensador crisitão, além de importante precursor da Reforma.

Os escritos de John Wycliffe causaram profunda impressão em John Huss, que combateu o pagamento de indulgências — prática que considerava sem valor algum para o perdão divino — e a corrupção do Clero. Wycliffe ensinou de forma enfática o sacerdócio universal dos crentes, que preconizava: qualquer pessoa pode comunicar-se com Deus, sem a mediação da Igreja (1Tm 2.5).

Em 6 de julho de 1415, na cidade de Constança, Huss foi condenado e queimado vivo em praça pública. Enquanto chamas consumiam seu corpo, entoava hinos de adoração ao Senhor. Seus seguidores, os hussitas, deram continuidade a sua obra. Pelo seu testemunho de coragem, John Huss exerceu grande influência sobre a vida de Lutero.

1.3. Girolamo Savonarola (1452—1498)
Savonarola nasceu em Ferrara, Itália, em setembro de 1452. Desistiu da Medicina para dedicar-se à vida religiosa, baseando suas ações em Florença.

Savonarola atacou o mau-caráter e os desmandos do Papa Alexandre VI, tornando-se um defensor intrépido das ideias reformistas. Ficou conhecido por considerar-se um profeta e por ter queimado um grande volume de obras de arte e livros — Savonarola os considerava produtos da vaidade humana e de natureza imoral.
A Igreja Romana passou a considerá-lo um inimigo e, em retaliação, excomungou-o.

Em 23 de maio de 1498, Savonarola foi condenado à morte por enforcamento em praça pública na cidade de Florença, tendo o seu corpo queimado posteriormente.
Savonarola não se opunha a todas as criações artísticas, mas ordenou que os patronos das artes se abstivessem de apoiar a criação de qualquer pintura religiosa que não capturasse a espiritualidade interior do seu sujeito, quer se tratasse de uma figura bíblica ou um santo (WOODBRIDGE; JAMES. Central Gospel, 2017, p.110).

2. OS PRINCIPAIS PERSONAGENS DA REFORMA

2.1. Martinho Lutero (1483-1546)
Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, na cidade de Eisleben, Alemanha. Sendo herdeiro de uma educação familiar muito rígida, sofreu grande influência de sua mãe.
Lutero estudou na Universidade de Erfurt, onde se graduou em Artes no ano de 1502 e, mais tarde, concluiu seu mestrado (1505). Foi ordenado em 1507 e, em 1512, recebeu seu doutorado em Teologia.

O estudo das Escrituras Sagradas despertava-lhe grande inquietação, em especial o texto paulino que diz: Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas ajusto viverá da fé (Rm 1.17). A partir de um exame diligente da Palavra de Deus, descortinou-se em sua mente o entendimento de que a salvação provém da fé, sem a necessidade de qualquer outra exigência ou intermediação (Rm 3.28; 4.3-5).

Lutero passou a entender a comunhão com Deus como algo possível a qualquer pessoa que busque o Altíssimo com sinceridade e devoção, movida pela fé somente (Mt 6.6; 7.7; Jo 15 15; Ef 2.8,9).
Para Lutero, a salvação não poderia ser alcançada por obras ou, tampouco, por merecimento humano, mas unicamente pela fé em Cristo Jesus, o único e suficiente Salvador (Ef 2.8,9).

2.1.1. As 95 teses afixadas na Catedral de Wittenberg
Oportunamente, Lutero desafiou também a doutrina da infalibilidade papal e apontou as Escrituras Sagradas (não a Tradição da Igreja) como única fonte confiável da verdade revelada por Deus (Mt 4.4; 5.18; Ap 22.18,19).

Essa convicção levou-o a afixar na porta da Catedral de Wittenberg, em 31 de outubro de 1517, 95 teses que combatiam, principalmente, a hierarquia clerical, os sacramentos, o pagamento de indulgências e a teologia romana, em geral. Um dos seus maiores oponentes foi o vendedor de indulgências Johann Tetzel, que costumava dizer: Assim que uma moeda tilinta no cofre, uma alma sai do Purgatório.

Lutero recusou-se a apresentar qualquer retratação por seus ensinos veiculados em palestras, aulas e livros. A pedido do Papa Leão X e do imperador Carlos V, em junho de 1520, foi excomungado e teve seus livros queimados.

Lutero viveu escondido por amigos durante algum tempo, ocasião em que traduziu o Novo Testamento para o alemão em um ano. Posteriormente, traduziu também o Antigo Testamento, vindo a falecer em 18 de fevereiro de 1546.
 
2.2. João Calvino (1509-1564)
Calvino nasceu em Noyon, França, em 10 de julho de 1509. Assim como Lutero é considerado a voz profética da Reforma Protestante, Calvino é considerado seu organizador.
Antes mesmo de alcançar destaque como teólogo ou pastor, Calvino era conhecido por sua destacada atuação na área das ciências humanas — além e graduado em Teologia, era graduado em Filosofia e Direito.

Em 1936, aos 26 anos de idade, escreveu sua mais reconhecida obra: As Institutos da Religião Cristã, obra de grande porte e fama que contém todo sistema doutrinário adotado pelas igrejas reformadas. Assim como a teologia de Lutero destacava a justificação pela fé, a de Calvino salientava a soberania de Deus (Is 43.7; Jo 17.5; Rm 11.36; Ap 19.1).

Depois do falecimento de seu pai, Calvino embrenhou-se no estudo sistemático das línguas originais das Escrituras (o grego e o hebraico). Isso lhe serviu de base para a elaboração de abalizados comentários sobre os livros da Bíblia.

Calvino alcançou grande notoriedade como pastor, educador e teólogo. Sua atuação marcante nas áreas de hermenêutica e exegese bíblica jamais será esquecida. Ele fundou a Academia de Genebra, em 1559; inicialmente, a instituição funcionava como um seminário teológico que, também, ensinava Direito.

No dia 6 de fevereiro de 1564, severamente enfermo, acometido de tuberculose, Calvino (conduzido em uma cadeira de rodas) proferiu sua última mensagem. Um mês antes de sua morte, declarou: Ensinei fielmente sobre as Escrituras e Deus deu-me graça para escrever. Fiz isso de modo fiel, sem corromper uma única passagem bíblica. Quando fui tentado a requintes, resisti à tentação e sempre primei pela simplicidade, sempre coloquei diante de mim a glória de Deus. Calvino faleceu em 27 de maio de 1564.

Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que cré, primeiro do judeu e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé (Rm 1.16,17).

2.3. Ulrico Zuínglio (1484-1531)
Zuínglio foi o principal nome entre os teólogos suíços na propagação da Reforma Protestante em seu país. Seu empenho no estudo dos idiomas clássicos levou-o ao domínio do hebraico e do grego, fato que alavancou seu conhecimento teológico e sua capacidade na exposição das Escrituras Sagradas.

Em 1519, ao transferir-se para Zurique, inspirado nas ideias reformistas de Lutero, passou a pregar fervorosamente contra as indulgências, exortando o povo a viver o evangelho puro. Mais tarde, criticou insistentemente o celibato eclesiástico, a devoção a Maria e aos santos, a autoridade papal, o culto a imagens e a missa como sacrifício. Em contrapartida, o bispo de Constança proibiu-o de pregar, acusando-o de herege.

No ano de 1522, Zuínglio assumiu um papel importante na propagação da Reforma. Ele partiu do princípio de que somente as Escrituras Sagradas possuem os ensinos necessários à salvação (2 Tm 3.16; 2 Pé 1.21; Mt 4.4; 5.18; Ap 22.18,19)- Pensando assim, elaborou 67 breves artigos de fé, nos quais reafirmou o Senhor Jesus Cristo como único Chefe da Igreja (Ef 5.23), ratificando que a salvação só pode ser alcançada pela Graça, mediante a fé (Ef 2.8,9). Além disso, combateu veementemente a intercessão dos santos e a existência do Purgatório.

A Reforma de Zuínglio recebeu apoio do povo e dos magistrados da época e produziu mudanças importantes na vida civil. O governo de Zurique introduziu a língua alemã na liturgia religiosa e anulou o celibato de seus representantes oficiais.
Em várias ocasiões, Zuínglio promoveu debates públicos (na presença de multidões) contra teólogos romanos. Sendo seus argumentos muito mais convincentes, derrotava-os de maneira fragorosa, reforçando, assim, os pressupostos da Reforma.

Em 1529, iniciou-se uma luta armada. Temendo o perigo de uma intervenção imperial e a hostilidade da parte do segmento romano, Zuínglio incitou o Conselho de Zurique ao ataque armado. Acompanhando as tropas como capelão, morreu na batalha em 11 de outubro de 1531. Diz-se que seu cadáver, depois de esquartejado, foi também queimado.

CONCLUSÃO
A Reforma Protestante foi possível porque o Deus Altíssimo, em Seu poder soberano, decidiu colocar um basta na grande crise espiritual que se instaurou na Igreja.

O período que antecedeu a Reforma foi de verdadeiras trevas; o Senhor, todavia, levantou destemidos heróis da fé para levar adiante a grande missão cristã: evangelizar os povos da terra e estabelecer o Seu Reino entre os homens.

A vida desses servos fiéis e o seu grande legado possibilitaram que fôssemos salvos e, assim, fizéssemos parte da Igreja que, a despeito dos perigos, percalços e todo tipo de ameaça, triunfará sobre tudo e todos. Como disse Jesus: as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16.18).
 
ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. Cite os nomes dos pré-reformadores e reformadores, destacados nesta lição.

R.: Pré-reformadores: John Wycliffe; John Huss e Girolamo Savonarola. Reformadores: Martinho Lutero; João Calvino e Ulrico Zuínglio.

 
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