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Assunto: Reforma Protestante: história, ensinos e legado.
Lição: Jovens e Adultos
Trimestre: 4° de 2017
Comentarista: Pr. Gilmar Vieira Chaves
Editora: Central Gospel
TEXTO BÍBLICO BÁSICO
2 Timóteo 3.14-17
14 Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido,
15 E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.
16 Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça;
17 Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.

 Romanos 15.1-4
1 MAS nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos.
2 Portanto cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação.
3 Porque também Cristo não agradou a si mesmo, mas, como está escrito: Sobre mim caíram as injúrias dos que te injuriavam.
4 Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança.

TEXTO ÁUREO
Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam. João 5.39

SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO
2ª feira - Salmo 119.47,48, 92-94,97: A tua lei é a minha meditação em todo o dia
3ª feira - Lucas 16.19-31: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos
4ª feira - Mateus 5.17-20: Nem um jota ou um til se omitirá da Lei
5ª feira - Atos 17.10-12: De bom grado receberam a Palavra
6ª feira – Gálatas 1.10-1.7: O Evangelho não é segundo os homens Sábado - 2 Pedro 1.19-21: Homens santos, Inspirados pelo Espírito Santo
 
OBJETIVOS
Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá:
•  saber em que consiste a Tradição (oral e escrita) da Igreja;
•  compreender o princípio de sola Scriptura;
• entender que a Escritura é a única autoridade normativa, segundo a qual a Igreja deve moldar a sua fé.

ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
Caro professor,
Como mencionado na lição anterior, entre a terceira e a sexta lições dessa revista, apresentaremos um panorama geral da teologia reformada, especialmente no que tange à soteriologia dos reformadores.

Assim, para uma melhor compreensão do conteúdo, sempre que necessário, recorreremos ao Concílio de Trento, à Confissão de Fé de Westminster (CFW) e ao Concílio Vaticano II.

Ao Concílio de Trento, por apresenta-nos, com evidências documentais, a posição romana no período em que a teologia reformada floresceu; à CFW, por ser considerada a obra-prima da teologia reformada; e, ao Concílio Vaticano II, porque, a partir deste, o catolicismo passou a adotar uma postura menos conservadora, mais ecuménica.
Excelente aula!

COMENTÁRIO
Palavra introdutória
Nesta lição, especificamente, discorreremos sobre a centralidade das Escrituras na Reforma, trazendo, no decorrer do estudo, uma reflexão sobre os desvios teológicos atuais — especialmente entre os cristãos de confissão protestante —, que poderiam ser evitados, se a herança dos reformadores fosse o princípio norteador de nossas práticas e intenções.

1. A TRADIÇÃO CRISTÃ
A Tradição( lt.traditto, tradere = entregar; passar adiante) sempre foi uma autoridade espiritual presente na teologia cristã (medieval e hodierna), uma vez que representa a continuidade e permanência da doutrina e cosmovisão da Cristandade.

A Tradição é corretamente qualificada de oral; no entanto, no decorrer dos tempos, ela também foi fixada por escrito (sendo registrada, muitas vezes, em documentos pontifícios, como as bulas e encíclicas papais, por exemplo).

Para uma melhor apreensão do conteúdo desta  lição,  vejamos,  resumidamente, em que consistem as tradições oral e escrita da Igreja.

1.1. A tradição oral
Entende-se por tradição oral tudo aquilo que a Igreja recebeu dos apóstolos — e que a eles foi confiado pelo próprio Cristo —,- deste modo, está essencialmente radicada no testemunho daqueles a quem Jesus deixou a missão de anunciar o Evangelho (Mc 16.15), testemunho esse assumido por seus sucessores (2 Tm 2.2).
O entendimento romano é este: a Igreja não pode ser guiada unicamente pela revelação escrita (a Bíblia), mas precisa ser dirigida também pela revelação oral, pois, sem essa última, nem mesmo o texto bíblico existiria do modo como o conhecemos hoje, uma vez que ele (o texto) foi vivido e — apenas décadas depois — redigido pela Igreja.
O termo Igreja Católica é posterior ao Concílio de
Trento (1545-1563), uma forma de diferenciá-la da Igreja Protestante. Antes da Reforma, só existia o que se convencionou chamar de Cristandade.

1.2. A tradição escrita
Diz respeito ao texto bíblico — produto da tradição oral —, escrito pelos quatro evangelistas e por outros autores sagrados, inspirados pelo Espírito Santo.

Vale ressaltar, neste ponto, que boa parte da tradição oral não foi registrada, sequer, em livros apócrifos; algumas são transmitidas, ainda hoje, por bispos e papas, estando presentes apenas em documentos pontifícios. Exemplo: a assunção e virgindade eterna de Maria. De acordo com o Magistério da Igreja Romana, tais eventos não são citados explicitamente na Bíblia, porque, segundo o corpo clerical, o objetivo do texto sagrado é falar de Jesus.

1.3. A posição ocupada pelas Escrituras na Igreja Medieval
Por muitos séculos, a Igreja Romana considerou a autoridade da tradição oral superior à autoridade das Escrituras. Isso explica a razão de, nos dias de Lutero, os fiéis terem-se desviado dos valores primordiais do cristianismo: suas práticas não estavam baseadas única e exclusivamente nos escritos sagrados; muitos ensinamentos, inclusive, não eram interpretações do texto bíblico, mas instrumentos de manipulação do Clero, utilizados para alcançar os objetivos pretendidos.

O fato de a Igreja Romana sobrepor a autoridade da Tradição à autoridade das Escrituras levou os fiéis a adotarem práticas absolutamente contrárias aos ensinamentos bíblicos, tais como: as orações aos santos, a mariolatria (veneração a Maria, mãe do Senhor), a transubstanciação, o batismo de crianças, o pagamento de indulgências e a autoridade papal, por exemplo.
 
2. SOM SCRIPTURA
Aprioristicamente, é preciso dizer que a Tradição jamais foi rejeitada pelo simples fato de ser tradição; os autores sagrados, inclusive, tanto destacam sua importância (2 Ts 2.15) quanto criticam o mau uso dela (Mt 15.2,3,6; Mc 7.3,5,8,9,13).

A partir desse entendimento, precisamos responder ao seguinte questionamento: o que a Igreja de Cristo precisa rejeitar, então? A resposta é simples: todo conjunto de ideias e valores culturais, morais e espirituais que contradigam, de algum modo, a Palavra de Deus.
Os reformadores, indiscutivelmente, consideravam a autoridade dos Credos (Apostólico; Niceno e Calcedoniano); entretanto, opuseram-se à autoridade da tradição oral, independente da tradição escrita; eles defendiam que a única e infalível autoridade dentro da Igreja é a Bíblia.

2.1. O marco histórico do conceito de sola Scriptura
Lutero divergia dos ensinos de sua época, que eram baseados na Tradição (bulas, declarações, concílios, dentre outros documentos pontifícios). Ao ser ameaçado de excomunhão e morte, caso não se re-tratasse formalmente de suas posições expressas nas 95 teses afixadas na Catedral de Wittenberg, Lutero disse: Não posso submeter minha fé quer ao Papa quer aos concílios, porque é claro como o dia, que eles têm frequentemente errado e se contradito um ao outro (...)• Esse evento serve de marco histórico para o conceito de sola Scriptura (somente a Escritura).

2.2. Em que consiste o conceito de sola Scriptura
Apologistas romanos, desde a Reforma, por ignorância — culposa ou dolosa tentam distorcer, de forma irónica, a doutrina de sola Scriptura a seu bel prazer. Deste modo, é importante dizer que a teologia reformada, quando utiliza a expressão sola Scriptura, não está rejeitando a realidade de que a Palavra de Deus, antes de ser escriturada, foi transmitida oralmente aos homens; também não está negando que o Eterno revela-se à humanidade por meio de elementos naturais (revelação geral, não salvífica); do mesmo modo, não está minimizando a atuação do Espírito Santo na vida do crente; tampouco está questionando a necessidade de haver, na Igreja, mestres, pastores e evangelistas.
O grito "sola Scriptura!" declara, fundamentalmente, que a Palavra de Deus — anunciada ao longo dos séculos por profetas e apóstolos — encontra-se, hoje, registrada nas Sagradas Escrituras, e que essa revelação escrita é clara o suficiente para ensinar ao povo de Deus quanto à salvação e à santificação.

A teologia reformada entende que a tradição oral pode, sim, ser útil na compreensão das origens do cristianismo — desde que se possa demonstrar que ela (a tradição oral) tem origem no ensino apostólico — ; entretanto, também defende que nenhum tratado teológico, nenhuma opinião religiosa, nenhum concílio que contradiga as Escrituras pode servir de fundamento para a fé cristã.

Sola Scriptura significa, antes de tudo, que as Escrituras Sagradas (do Antigo e do Novo Testamento) são a única regra de fé e prática para os cristãos, pela simples razão de elas — e tão somente elas — serem inspiradas por Deus.

2.3. A base bíblica da doutrina reformada
Obviamente, não encontraremos no texto bíblico qualquer menção ao termo sola Scriptura — ao menos não como frase declarativa. Entretanto, o próprio texto sagrado revela-nos duas realidades indiscutíveis:
• a Bíblia é inspirada por Deus;
• por meio dela, o Senhor fala de maneira autoritativa e definitiva ao Seu povo (Jo 5.24; 20.30,31; 2 Pé 1.20,21; 2 Tm 3.14-17; l Co 14.37,38).

2.4. O texto canónico
Não se pode falar em sola Scriptura, um dos fundamentos teológicos da Reforma Protestante, sem mencionar a diferença existente entre a Bíblia Romana e a Bíblia Protestante.
Desde os tempos de Lutero, tem havido um sério debate sobre se a coleção de livros apócrifos deve ou não pertencer à Bíblia. A divergência crucial surgiu em torno de 11 obras literárias do período do Antigo Testamento [sete livros (Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, l e 2 Ma-cabeus) e quatro partes de outros tomos (adições a Daniel e adições a Ester)].
Os judeus e os protestantes, unanimemente, consideram-
-nos como não canónicos, e os católicos romanos declararam-
-nos canónicos, ou canónicos de segunda chamada, no Concílio de Trento (1546).
Sempre houve escritos seculares que tentaram tratar os livros apócrifos como tendo o mesmo grau de autoridade que um texto canónico, ou como tendo ainda maior autoridade. Contudo, precisamos lembrar-nos de que confiar em informações contidas em livros que foram considerados espúrios, desde os primórdios do cristianismo, é um ato de grande insensatez.

3. ADVERTÊNCIA À IGREJA REFORMADA: QUEM TEM A RESPOSTA DEFINITIVA?

3.1. O Papa não tem a resposta definitiva
A partir do quarto século, com Constantino, os ritos cristãos começaram a ser definidos pelos líderes da Igreja — naquela época, havia cinco patriarcas (ou bispos) nas principais cidades do Império Romano, que se declaravam herdeiros dos apóstolos de Cristo. A partir do quinto século, definiu-se, então, que o bispo de Roma seria o mais importante dentre eles e seria chamado de Papa (gr. pappas, palavra carinhosa para pai). O sumo pontífice atuaria como vigário (It. vicariu = substituto) de Cristo na terra, sendo, deste modo, o líder supremo da Igreja.
Em linhas gerais, a Igreja Romana defende que o Papa — sucessor daquele que recebeu as chaves do Reino dos céus (Mt 16.19) — é infalível quando, a partir do trono de Pedro, fala nas condições ex cathedra sobre fé, moral e/ou costumes. Na prática, tal declaração normativa não tem qualquer valor, pois, só quem pode dizer se um Papa falou ex cathedra ou não é o próprio Papa.
 
3.2. As denominações protestantes não têm a resposta definitiva
Existe a crença entre os cristãos modernos de que a denominação cristã da qual fazemos parte está sempre certa. Isso também é uma inverdade, pois ninguém está isento de erros neste mundo. Os concílios são compostos por pessoas que, por mais conhecedoras das Escrituras que sejam, estão sujeitas a falhas. Obviamente, quanto maior for o apego dos líderes à sã doutrina, quanto maior for sua capacidade de aplicar os ensinamentos bíblicos às circunstâncias da vida, maiores chances terão de bem dirigir a Igreja de Cristo.

O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas, e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo, em cuja sentença nos devemos firmar, não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura (Confissão de Fé de Westminster).

CONCLUSÃO
Mas, afinal, se nem a Tradição, nem o Papa, nem as denominações cristãs têm a palavra final, qual é a autoridade normativa, segundo a qual a Igreja deve moldar a sua fé? Para a Igreja Reformada, não são os costumes (por mais arraigados que estejam), não é a opinião das pessoas (por mais intelectualizadas que sejam), nem a história das instituições (por mais respeitáveis que sejam) que deve nortear a nossa fé, mas sim o Espírito Santo, que fala na Escritura.

ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. De acordo com o que foi exposto nesta lição, responda: o que se entende por tradição oral?
R.: Entende-se por tradição oral tudo aquilo que a Igreja recebeu dos apóstolos — e que a eles foi confiado pelo próprio Cristo.
GLOSSÁRIO
Ex cathedra — Expressão latina que significa, literalmente, da cadeira de; do trono de.

Magistério da Igreja Romana — Encargo de interpretar a Tradição (oral e escrita) e — a partir dessa interpretação — formular dogmas e doutrinas.

 
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