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Observação. Este é um subsídio para ajudar os professores na ministração da lição 8Classe de Jovens | 2° Trimestre de 2018.
É pensando sobre o papel do reconhecimento da igreja local — tanto em seu aspecto de honra aos que trabalharam para a expansão do Reino, como com relação à autoridade da coletividade em reconhecer os chamados e as vocações individuais — que discutiremos neste subsídio.

1. Sobre a Necessidade de Anunciar constantemente a Verdade
Vivemos em tempos de muitas mentiras, erros, falsificações. A crise que nos rodeia é tão grande que muitos insistem hoje que os critérios de verdade, justiça e bondade foram todos relativizados; e, se assim for, deve valer tudo em nossa sociedade. Na verdade, esses dois aspectos da contemporaneidade estão intimamente relacionados, ou seja, a causa de todo relativismo é a profusão de mentiras que se propagam com uma enorme velocidade em nosso contexto histórico.

Uma mentira não precisa ser contada mais de mil vezes para tornar-se uma verdade; as milhares de mentiras coexistentes já emudeceram as parcas verdades que ainda sobrevivem.

Dessa forma, como restabelecer a verdade a seu lugar? Dando-lhe lugar de fala, redirecionando nossas estratégias de combate ao erro. Ao invés de insistirmos em apontar para as falácias, de tal modo que, num mundo midiático, estas ganhem os holofotes continuamente, devemos estar concentrados em clarificar e proclamar a verdade.

Um exemplo muito claro da necessidade deste novo modo de enfrentamento da mentira é o desafio que qualquer liderança enfrenta hoje no contexto religioso. Os vários escândalos de natureza sexual, as inúmeras denúncias de envolvimento com corrupção pública, o uso imoral do dinheiro de muitas comunidades para a compra de roupas de grife a jatinhos; tudo isso, no julgamento da imensa maioria da população, põe todas as lideranças religiosas na mesma vala comum.

Se reduzirmos essa análise ao mundo evangélico brasileiro, tudo fica muito pior. A credibilidade de pastores e líderes é baixíssima no senso comum da maioria das pessoas. Mas isso tudo porque, numa avaliação generalizante, todos são considerados iguais em suas posturas e intenções.

É claro que esse tipo de ponderação sobre o enorme universo de homens e mulheres que se dedicam ao Reino de Deus é injusto. O que acontece, como já anteriormente apontamos, é que o mal e o erro têm maior visibilidade que o bem e aquilo que é correto. Uma minoria de indivíduos comete erros reprováveis, e suas atitudes vêm a público; contudo, todo um universo de pessoas é pejorativamente mal avaliado.

O escândalo dos mal-intencionados faz com que a imensa maioria dos que exercem serviços de liderança em nossa comunidade sejam malvistos, quando, na verdade, existe um exército de servos que, de maneira desprendida, doam suas vidas, tempo e até mesmo finanças para o desenvolvimento do Reino aqui na terra.

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Sobre a necessidade de ponderação e mediação sobre o trabalho dos que lideram, Boor afirma-nos:
Nessa multidão viva e ativa existem pessoas “que labutam em vosso meio”. Porque a longo prazo nenhuma comunhão de pessoas pode subsistir somente com os respectivos serviços voluntários. Carece das ordens e igualmente dos membros que assumem certos serviços de forma duradoura. Nessa questão a igreja precisa levar em conta o permanente perigo de que essas ordens se enrijeçam como fins em si mesmos e de que esses membros da igreja se tornem “papas” (com ou sem talar e tiara!) que transformam o serviço em dominação. Esse perigo precisa ser constantemente superado com reiterados avivamentos e reformas. Mas não é possível existir sem serviços organizados e permanentes. (BOOR, 2007, p. 47)




2. Paulo, os Tessalonicenses e o Reconhecimento das Lideranças
Diante desse quadro problemático que se impõe hoje, as orientações paulinas nunca se fizeram tão necessárias. Ao escrever para os tessalonicenses, o apóstolo faz um último rogo àquela comunidade: que reconheçam os que trabalham entre os irmãos e que também lideram conforme as orientações do Senhor (ver 1 Ts 5.12).

Um dos elementos centrais no pedido de Paulo à Igreja em Tessalônica é que o reconhecimento deve ser feito às pessoas, e não ao trabalho realizado. O que se percebe continuamente em nosso contexto evangélico brasileiro é que, muitas vezes, se fala muito sobre o trabalho dos líderes, as obras que eles realizaram, seus feitos; contudo, esquece-se de suas pessoas.

A despessoalização daqueles que se doam aos ministérios de liderança é algo muito sério. Num processo de abuso e uso dos sujeitos, instituições aproveitam-se do coração generoso, das inexperiências juvenis e, muitas vezes, exploram pessoas para, simplesmente, num momento posterior, lança-las fora.

São incontáveis as histórias de líderes — não apenas de pastores, mas também de irmãs de oração, dirigentes de congregação, piedosos servos e servas — que, durante anos, se entregaram completamente ao apoio a uma determinada obra, mas que, ao envelhecerem ou mesmo apenas ao não serem capazes de doarem-se o quanto faziam antes, são simplesmente afastados, isolados, esquecidos.

Quantos abnegados pioneiros da obra de Deus aqui no Brasil, especialmente do pentecostalismo protestante, estão completamente ostracizados em suas residências, alguns inválidos, outros simplesmente machucados demais na alma para conseguirem, ao menos, congregar-se novamente.

O raciocínio de compreensão do envelhecer em nossas igrejas está abandonando os padrões bíblicos para adequar-se à lógica perversa da sociedade contemporânea. Em nosso mundo, quando as coisas não produzem o resultado que as demais são capazes de gerar, elas são descartadas de pronto.

Existem inúmeros textos sagrados que apontam para a valorização e honradez da velhice. Envelhecer, segundo os padrões bíblicos, não deve ser visto como um suplício ou declínio, mas, antes, como uma benção, como um privilégio que o SENHOR Deus concede aos seres humanos.

O ancião, com sua bagagem de experiências e dons, tem a capacidade de instruir os mais novos em suas ações e pretensões. A sabedoria de quem já passou por situações semelhantes e encarnou dilemas análogos deveria ser sempre muito bem-vinda. Entretanto, não é assim que muitas igrejas funcionam; em muitos casos, elas estão subordinadas a conceitos humanos de produtividade, resultados e racionamento.

Por isso, a produção em massa de bens fundamenta o princípio da “obsolescência programada”, isto é, os objetos e ferramentas que utilizamos no cotidiano são fabricados com um prazo previsto para seu desuso; por isso, ainda que tal bem não esteja avariado ou quebrado, ele será descartado do mesmo modo, pois é necessário que ele dê lugar a um novo objeto, ainda que este não seja — na maioria dos casos — em nada melhor que o outro.

Quando pessoas são inseridas na lógica da obsolescência programada, tudo se torna mais perverso ainda. Pessoas são “sugadas” em sua força e ânimo até o último estágio — por isso, em muitas pesquisas contemporâneas, há a constatação do elevado índice de stress e exaustão entre líderes evangélicos no Brasil e no mundo. No momento em que tais pessoas já não são mais capazes de “dar o retorno” esperado pela instituição ou por aqueles que a comandam, elas são rapidamente trocadas, substituídas, desvalorizadas.

Quantas santas mulheres de Deus, anônimas para o grande público, porém bastante conhecidas em suas comunidades locais, padecem de esquecimento e isolamento em suas próprias casas, pois seus joelhos, que se dobraram durante anos para clamar pelo Reino de Deus, não suportam mais o peso da idade.

3. A Igreja Contemporânea e o Reconhecimento às Lideranças
E hoje, de que modo uma igreja local pode reconhecer o trabalho daqueles que se doam a ela amorosamente? Em primeiro lugar, mantendo um compromisso com a memória da coletividade; histórias inteiras de uma comunidade não devem ser apagadas ao bel-prazer de um líder inseguro que, para autoafirmar-se, precisa desconsiderar toda uma trajetória histórica que lhe antecedeu.

Outra medida prática e de simples implantação, porém de destacável relevância, seria o empenho comunitário no acompanhamento sistemático dos anciãos existentes na igreja local. Tanto como num esforço de servir a um público-alvo específico — e cada vez mais em crescimento —, como num ministério de acolhimento, auxílio e valorização do idoso como grupo social relevante dentro de toda e qualquer igreja.

Outra medida de natureza mais específica diz respeito ao trato com aqueles que se dedicaram ao serviço de liderar igrejas. Se uma igreja local desenvolveu um conjunto de atividades de tal forma que exigiu — explícita ou implicitamente — a dedicação integral de seu líder àquelas atividades, essa mesma igreja deve responsabilizar-se por providenciar as garantias para um envelhecimento digno.

Tais responsabilidades de uma igreja local passam tanto pelos aspectos espirituais, como também pelos sociais e emocionais. Não se deve abandonar um líder, mais especialmente quando este, pelo avançar de sua idade, já não consegue exercer da mesma maneira as atividades que realizava anteriormente.

Esse tipo de atitude que toda igreja deve tomar reflete diretamente uma verdade espiritual enunciada por Paulo nesse contexto de sua primeira carta aos tessalonicenses: o ministério que realizamos na obra de Cristo foi-nos dado pelo Pai, mas deve ser chancelado pela comunidade local onde o desenvolvemos.


4. A Igreja como Instrumento de Reconhecimento Ministerial
No meio evangélico brasileiro, há uma série de anomalias extremamente perigosas, associadas exatamente à quebra desse princípio apresentado por Paulo. Por exemplo, existem indivíduos que, no afã de afirmarem sua suposta vocação ministerial, saem em turnês por vários lugares. São personagens de vários extratos ministeriais: cantores, pregadores, profetas, etc. Gente que não possui, de fato, uma igreja local para congregar-se.

Como tais pessoas poderão desenvolver qualidades inerentes ao serviço cristão, mas que se evidenciam ou até mesmo se manifestam na vida em coletividade? Valores como submissão, serviço e senso de coletividade somente serão desfrutados numa experiência que envolva um grupo específico de pessoas que congreguem em um local particular.

Como alguém que não se submete a autoridades constituídas, que é incapaz de receber exortações por seus atos, ou até mesmo que não recebe acompanhamento espiritual de ninguém poderá desfrutar de um crescimento equilibrado e maduro? Necessariamente, somos parte de um todo; no caso do exercício de nossos dons e ministérios, eles são para a glória do Reino como um todo, mas tornam-se efetivos circunscritos a comunidades que são geográfica e historicamente localizáveis.

Dessa maneira, é importante destacar que todo esforço para um ministério autossuficiente é satânico e diabólico. Pessoas que se bastam a si mesmas estão adoecidas, maculadas pelo vírus luciferiano da adoração a si mesmo.
No cristianismo, a comunidade tem prerrogativas sobre o indivíduo. Por isso, em vários momentos do Novo Testamento, os escritores sagrados atestam que os chamados e ministérios pessoais são todos frutos de demandas reais de igrejas específicas (1 Co 12.27-31; Rm 12.5-8; Ef 4.11-13).

Não foi para a vanglória de homens que a Igreja nasceu; antes, foi para o serviço daqueles que foram vocacionados por Deus à salvação que o Senhor Jesus estabeleceu líderes — homens e mulheres — de caráter e qualidade.
Se alguém não tem testemunho entre os seus (1 Tm 3.6,7), o que ele pretende levar aos demais que estão distantes? Instituições podem até certificar pessoas como líderes; no entanto, é o testemunho da pessoa entre os santos em uma comunidade local que atesta o real fundamento divino de seu chamado.

CONCLUSÃO
Desconfiemos de pessoas que priorizam mais seus ministérios do que seus relacionamentos; que desejam mais a fama e o poder do que o serviço e o ministrar a vida dos outros. Todas as vezes que o rosto de um homem estampa a porta de entrada de uma comunidade, a coletividade está sendo sacrificada em detrimento da individualidade.

É claro que, falando em termos práticos, dependendo do sistema de governo eclesiástico, o reconhecimento comunitário oficial dar-se-á de modos diferentes. Entretanto, não estamos aqui nos atendo a mecanismos específicos de reconhecimento institucional, mas, sim, à natureza comunitária dos dons e ministérios espirituais, os quais emanam, funcionam e finalizam-se por meio da ação de Jesus Cristo com vistas às necessidades locais da igreja.

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Fonte: A Igreja do Arrebatamento: O Padrão dos Tessalonicenses para estes últimos Dias, CPAD
Autor: PR. Thiago Brazil


 
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