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Obs. Subsídio para a classe de Jovens. Lição 1 – 2° trimestre de 2019.
O conteúdo deste capítulo servirá como uma introdução ao livro. Nele vamos estudar sobre temas proeminentes em quase toda a história da humanidade: dinheiro, sexo e poder.

I. Uma Visão Panorâmica da Primeira Epístola de João
 
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ESTUDE A BÍBLIA À DISTÂNCIA
1. Autor, data e local da escrita

A definição da autoria, data e local da escrita, como a maioria dos livros bíblicos, é contraditória e motivo de várias controvérsias. No entanto, fica evidente que a primeira carta é anônima, ou seja, o autor não se identifica, apesar de que, para a época, mesmo a citação do nome não garantia a autoria, pois a pseudonímia era uma prática comum. Tradicionalmente se afirmava que tanto as três epístolas como o evangelho foram escritos por João, filho de Zebedeu. Segundo Arrington e Stronstad (2012, p. 945), membros da Comissão Editorial da Bíblia de Estudo Pentecostal, o primeiro defensor da autoria comum do Evangelho de João e a primeira carta foi Dionísio de Alexandria no século III, mas, por muitos anos, existiu a dúvida a respeito dessa autoria comum. Eles afirmam que a autoria destes livros por João, o filho de Zebedeu, “não é enfim crucial em termos de interpretação e certamente não o é em termos de inspiração e autoridade. Não há nenhuma razão para que um assistente de João não pudesse ser o responsável pelos escritos de 1 João”. No entanto, as semelhanças entre os livros demonstram que possuem a “mesma tradição e perspectiva”.

A data e a localização dependem da definição da autoria. Contudo, entre os estudiosos do Novo Testamento, é aceito que o evangelho foi escrito antes das epístolas. Considerando a escrita do evangelho na última década do século I, durante a segunda fase da formação das comunidades joaninas, as epístolas foram escritas no final desta década, na terceira fase da formação das comunidades. Na epístola, não há indicação do local da escrita, mas a cidade de Éfeso, na Ásia Menor, onde existia a comunidade joanina mais velha, tem sido um dos principais locais para a escrita. Todavia, como afirmam Arrington e Stronstad (2012, p. 945), “o conhecimento do local específico da escrita” da epístola não é crucial para a sua interpretação.

2. Destinatários e propósito da epístola

Arrington e Stronstad (2012, p. 946) asseveram que “os estudiosos modernos frequentemente se referem a estes crentes como ‘a comunidade joanina’. [...] Esta ‘comunidade’ poderia muito provavelmente ter sido uma associação de várias congregações ou igrejas que se reuniam nas casas”. Como na maioria das epístolas, o autor também se ocupa com a influência dos falsos mestres que estavam desvirtuando alguns membros e, então, escreve para orientá-los. A maioria dos falsos mestres na época da escrita da epístola era simpatizante das crenças gnósticas, que tinham o conhecimento místico como fonte de salvação.
Na época da escrita da epístola, a comunidade joanina passava por um período de conflitos internos. O autor afirma que, de seu grupo, saíram pessoas que eram contra Cristo (anticristos) para que ficasse claro que nem todos os membros da comunidade eram realmente convertidos (1 Jo 2.19). Não bastasse isso, eles tentavam desencaminhar membros da comunidade que permaneciam firmes e, com isso, provocavam problemas de poder da autoridade local (1 Jo 1.7; 2.2; 2.22,23,26; 3.7; 4.1-3,10; 5.5,6). A comunidade estava acuada pelas influências externas, perseguições e dissensões internas promovidas, em especial, por esses falsos mestres. O autor encoraja a comunidade por meio da ênfase na fé cristológica e o amor fraterno que vence o mundo (1 Jo 5.1-5).

De forma sintética, o autor incentiva a crer e servir a Jesus e amar ao próximo. Se o quarto evangelho distingue-se pelo seu caráter querigmático, a primeira epístola de João caracteriza-se pelo ensinamento ético e o tom exortativo e prático. O comportamento ético tem como base o mandamento do amor fraterno que permeia por toda a epístola. Embora o autor advirta contra os enganadores infiltrados no grupo (1 Jo 2.26), sua carta tem um estilo mais pastoral.
Ele trata os destinatários de filhinhos e escreve para que:
a) a alegria deles seja completa (1.4,);
b) não pecassem e abandonassem a fé (2.1);
c) tivessem a convicção da vida eterna (5.13). Eles deveriam assumir o amor como projeto de Deus para seus filhos, que era uma comunidade com base na comunhão e proteção mútuas (1.3,5,7), sem deixar-se influenciar pelo poder maligno e sedutor do mundo dominado pelo Império Romano na época.

3. Conhecimento, justiça e concupiscência como palavras-chave

A epístola tem várias palavras-chave (amor, comunhão, pecado, mandamento, justiça, injustiça, concupiscência), mas, devido ao título do livro, a ênfase será nas palavras-chave: conhecimento, justiça e concupiscência, que, de certa forma, estão inter-relacionadas com as demais palavras-chave.

Como os falsos mestres influenciados pelo gnosticismo exaltavam o conhecimento, o autor destaca qual é o verdadeiro conhecimento que salva. Ele emprega o verbo ginôskein, diferente de “saber”, eidénai, que só é autêntico quando se é colocado em prática os mandamentos de Deus (1 Jo 2,3,4) e evidenciado com o amor aos irmãos da comunidade (4.7,8). Trata-se de um conhecimento de Deus que leva à prática da justiça em relação ao próximo, como descrito por Oseias (Os 4.1,2) e Jeremias (Jr 22.15,16), que é traduzido por João como a obediência aos mandamentos divinos (1 Jo 3.23 e 4.21), diferentemente do comportamento daqueles que abandonaram a comunidade e são acusados por João de falta de amor para com seus irmãos (1 Jo 2.9-11; 3.11-24; 4.7-21). Por isso, houve a recomendação de que esse comportamento não deveria ser o da comunidade joanina (1 Jo 1.5-13). Portanto, o conhecimento de Deus está relacionado à prática da justiça, pois é uma demonstração de que a pessoa é nascida de Deus e justa (1 Jo 2.29; 3.7). Por outro lado, João afirma que quem não pratica a justiça e quem não ama seu irmão não é de Deus (1 Jo 3.10), pois toda injustiça é pecado (1 Jo 1.9; 5.17). Portanto, o conhecimento que conduz à prática da justiça resulta no amor fraterno recomendado por João.

O termo grego que é traduzido por concupiscência na epístola é epithymia, que significa “desejo” e “cobiça”. Essas traduções somente são utilizadas no texto que caracteriza o “mundo” que não deve ser amado (1 Jo 2.15-17). E uma expressão simples, porém com profundo significado para a vida espiritual do cristão. Por isso, será detalhado nas próximas seções e retomado nos próximos capítulos do livro, pois a tríade “concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida” será um tema que perpassará toda esta obra. A tríade será expressa ao longo do livro por palavras equivalentes como inveja, desejo, avareza, soberba, ambição, luxúria, obsessão pelo ter, consumismo, ostentação, entre outros relacionados ao dinheiro, sexo e poder.

II. Quem Ama o Mundo o Amor do Pai não Está neLe


1. O mundo que não deve ser amado

Mathew Henry (2015, p. 915) afirma que o mundo criado por Deus deve ser admirado, mas quando o ser humano sede às inclinações da sua natureza depravada em vez de admirá-lo, busca dominar o mundo para atender suas próprias concupiscências:

O mundo, fisicamente considerado, é bom e deve ser admirado como obra de Deus e um espelho na qual a sua perfeição brilha, mas deve ser considerado no seu relacionamento conosco agora em nosso estado corrompido e como trabalho em nossa fraqueza e instiga e inflama nossas paixões perversas. Existe uma grande afinidade e aliança entre o mundo e a carne, e este mundo penetra e invade a carne e assim se volta contra Deus. As coisas do mundo, portanto, são distinguidas em três classes, de acordo com as três inclinações predominantes da natureza depravada: (1) A concupiscência da carne; [...] (2) A concupiscência dos olhos; [...] (3) A soberba da vida. (HENRY, 2015, p. 915)

A palavra grega traduzida para mundo é kosmos. Ela tem três diferentes significados no Novo Testamento: a) mundo físico criado por Deus, o planeta em que vivemos (At 17.24; Mt 13.35; Jo 1.10; 13.1; Mc 16.15; Hb 1.2); b) a humanidade em geral, objeto do amor sacrificial de Deus para salvação (Jo 3.16; 12.19; 17.21); c) o sistema dominante que se opõe a Deus (Mt 16.26; 18.7; Jo 14.17; 15.18,19; 1 Co 2.12; 3.19; 7.31; 2 Pe 1.4; Hb 11.38; Tg 1.27; 1 Jo 2.15; 3.17; 5.19). Os dois primeiros “mundos”, o mundo maravilhoso criado por Deus e as pessoas, são dignos de nossa admiração e amor, pois ambos foram criados por Deus para adorá-lo.

Os textos bíblicos que afirmam o amor de Deus pelo mundo referem-se aos seres humanos (1 Jo 4.9). A comunidade deve amar as pessoas (Rm 13.8; 1 Jo 4.7; 1 Pe 1.22), mas não o sistema de poder que atua no mundo e em seus valores corruptos (2. Co 4.4), que promove a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida (1 Jo 2.16). A mídia de entretenimento e as campanhas de marketing atraem, de certa forma, os cristãos para desejarem ter a forma do sistema dominante do mundo. Algumas pessoas ficam até frustradas quando se comparam com as personagens que são criadas para atrair os consumidores, mas o cristão salvo deve permanecer no temor do Senhor (Pv 23.17).

O mundo que se refere ao sistema (pessoas e instituições) que se opõem a Deus é aquele que não deve ser amado, pois reflete o estilo de vida das pessoas que não amam a Deus e não estão comprometidas com a realização de sua vontade. A maioria das vezes em que a palavra mundo é citada na Bíblia está no sentido negativo, referindo-se ao sistema perverso que afasta o ser humano da vontade de Deus. Trata-se do mundo que faz com que as coisas e as pessoas sejam tratadas como ídolos, movendo, assim, os sentimentos e ações de pessoas que os têm como deuses. Desse modo, tudo o que colocamos em primeiro lugar em nossa vida antes de Deus é idolatria (1 Co 10.7,14,31). Jesus disse que quem ama algo deste mundo mais do que a Ele próprio não é digno dEle (Mt 10.37,38). O cristão deve desconfiar de tudo o que concorre com Deus em sua vida. Por isso, ao longo deste livro, quando for citado o mundo a ser evitado, esse mundo refere-se àquele que concorre com Deus e que jaz no Maligno (1 Jo 5.19).

2. O amor ao mundo é inconsistente com o amor de Deus

O autor da Primeira Carta de João caracteriza o mundo que não deve ser amado como aquele que é constituído por pessoas que:

a) não conhecem a Deus (1 Jo 3.1);
b) são contrárias à Igreja de Cristo (3.13); e
c) são dominadas pelo Maligno (5.19). O apóstolo Paulo afirma que o cristão salvo não deve tomar a mesma forma das pessoas que fazem parte do mundo. Ao contrário, deve renovar sua mente por meio da prática do evangelho, ou seja, deve influenciar as pessoas que se opõem a Deus e não se deixar ser influenciado pelo seu estilo de vida (Rm 12.1,2).

O mundo usurpa a paixão de quem se deixa levar por ele. Dessa forma, o cristão deve estar em constante vigilância para não se acostumar com o estilo de vida que se opõe à vontade e ao projeto do Reino de Deus.

Quanto mais próximo o cristão estiver do amor ao mundo, mais se distanciará da prática do amor de Deus. Jesus, na oração sacerdotal, deixou claro que seu discípulo está no mundo físico (Jo 17.11), mas não é do mundo, ou seja, não se conforma com o sistema opressivo dominante (Jo 17.14). Ele é chamado para fora do mundo de trevas e é reenviado ao mundo como luz e testemunha viva da transformação que se dá por meio do evangelho (Jo 17.18). As pessoas que se adéquam ao estilo de vida e procedimento do mundo encontram dificuldade para fazer a vontade de Deus, pois a prioridade não é o bem da coletividade e a defesa dos menos favorecidos. Ao contrário, do que se busca é o atendimento egoísta dos desejos pessoais. E, portanto, um modo de vida inconsistente com o amor de Deus, provado por meio do sacrifício vicário e voluntário de Cristo para salvar a humanidade (Rm 5.8).

O novo convertido recebe uma nova natureza quando é justificado, de forma que ele não se agrada mais das antigas práticas “mundanas” (2 Co 5.17), tomando-se, assim, cidadão de um novo reino (Fp 1.27, 3.20). Jesus afirmou que o seu Reino não era desse mundo que deve ser evitado (Jo 18.36). Os desejos do cristão devem voltar-se para o que é permanente, e não para o que é transitório e efêmero (Lc 12.33; 1 Tm 6.18,19). Quem continua amando o mundo não cresce espiritualmente e torna-se estéril no Reino de Deus (Mt 3.8, Lc 6.43-45, Jo 12.25, 15.1-8). O cristão que se toma amigo do mundo (Tg 4.4) é contaminado por ele (Tg 1.27), toma a forma dele (Rm 12.2) e acaba tomando-se inimigo de Deus. Se o cristão não mudar de comportamento e voltar-se para Deus, acabará sendo condenado com o mundo (1 Co 11.32). O cristão deve amar o planeta e a humanidade criada por Deus, mas não deve tomar a forma do estilo de vida das pessoas que não conhecem e opõem-se a Deus.

FonteCobiça e Orgulho – Combatendo o desejo da carne, o desejo dos olhos e a soberba da vida. Editora CPAD | Autor: Pr. Natalino das Neves.
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