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Introdução
O mais importante símbolo religioso associado ao tabernáculo era a arca ou caixa sagrada. A arca, cuidadosamente moldada e majestosamente decorada, guardava o documento que confirmava o relacionamento de Deus com a nação — as duas tábuas de pedra dos Dez Mandamentos — e outros símbolos da misericórdia divina para com ela (o maná e a vara).

I – ARCA DA ALIANÇA, A PRESENÇA DE DEUS NO TABERNÁCULO

“Diga aos israelitas que façam uma arca de madeira de acácia, de um metro e dez de comprimento por sessenta e seis centímetros de largura e sessenta e seis de altura. Revistam de ouro puro essa caixa, por dentro e por fora. E em toda a volta coloquem um remate de ouro. Façam também quatro argolas de ouro e ponham nos quatro pés, ficando duas argolas de cada lado. Façam cabos de madeira de acácia e revistam de ouro. Enfiem os cabos nas argolas nos lados da arca, para que ela possa ser carregada. Os cabos ficarão nas argolas da arca e não serão tirados dela. Eu lhe darei as duas placas de pedra, onde estão escritos os mandamentos; e você porá essas placas na arca. Faça também uma tampa de ouro puro, de um metro e dez de comprimento por sessenta e seis centímetros de largura” (Êx 25.10-17 – NTLH).
1. O que era a Arca?
A arca era uma caixa de madeira revestida de ouro puro [...] por dentro e por fora. Em cada lado, havia argolas de ouro para passar varais a fim de carregá-la. Dentro dela seriam guardados o Testemunho (isto é, as duas tábuas da lei), a vara florescida de Arão e um vaso com maná (Êx 16.32-34; Nm 17.10; Hb 9.4).
“[...] Nessa arca, estavam o vaso de ouro contendo o maná, a vara de Arão que floresceu e as tábuas da aliança” (Hb 9.4 – KJA).

Outros nomes para a Arca:
ü    Era chamada a arca do Testemunho (Êx 25.22),
ü    Arca do SENHOR (Js 3.13; 1 Sm 4.6),
ü    Arca de Deus (1 Sm 3.3)
ü    Arca do concerto do SENHOR (Dt 10.8).
ü    Arca da aliança (Nm 10.33).
ü    Arca do SENHOR Deus (1 Rs 2.26
ü    Arca sagrada (2 Cr 35.3)  
ü    Arca da tua força [de Deus]" (Sl 132.8 - ARC).

2. A Simbologia da arca
Ø    Era sinal do pacto entre Deus e os homens, ratificado pela lei e inaugurado pelo sacrifício expiatório (Lv 16.2). Em termos cristãos, representa Cristo, o nosso sacrifício (João 1.29; Hb 9.24). Há um novo pacto, ou novo testamento (Hb 7.22 e 9.15). A arca era feita de madeira, uma referência ao caráter humano de Cristo, mas completamente revestida de ouro, uma menção a sua divindade.

Ø    Simbolizava a justiça e a presença de Deus (Êx 25.10-22; 37.1-9; Dt 10.15; Jo 1.18; 14.9).

II – A TAMPA DA ARCA (Êx 25.17-21 - ARC)


Era uma peça sólida de ouro puro sobre a qual repousavam duas esculturas de anjos denominados querubins, com as asas estendidas por cima da tampa, olhando para baixo e com as faces voltadas uma para a outra.
Deus se manifestava em cima do propiciatório, por meio de uma nuvem que surgia entre os dois querubins. Os querubins são mencionados em pelo menos treze livros da Bíblia e estão relacionados principalmente à santidade e retidão do SENHOR. Geralmente são citados em associação ao trono de Deus.

1. A tampa da arca era chamada propiciatório
O propiciatório de ouro puro era uma laje que servia de tampa para a arca. Suas dimensões eram exatamente as mesmas da arca. Chamava-se propiciatório, porque era o lugar da expiação onde estava simbolizada a misericórdia.

2. A simbologia dos Querubins
Os querubins representam a majestade divina e a deidade do Todo-Poderoso.  São também anjos de elevada graduação e chamados “querubins da glória” (Hb 9.5). Os querubins ocupam um posto de grande responsabilidade na administração divina, junto ao trono de Deus. A Bíblia diz que Deus está entronizado entre os querubins (Sl 99.1; 80.1; Is 37.16; 2 Rs 19.15; 2 Sm 6.2). Entre os querubins, destacam-se os quatro seres viventes (Ap 4.6-9), considerados como querubins de alta categoria (Ez 4 e capítulo 10.20), pois sempre se acham ao redor do trono de Deus e do Cordeiro (Ap 4.6,9). O profeta Ezequiel também teve uma visão desses querubins, relatada nos capítulos de 1 a 10 de seu livro.

III - FIGURAS DE QUERUBINS (Êx 25.18; 26.31)

Para escapar da acusação de que seus fiéis praticam a idolatria, a Igreja Católica Romana desenvolveu três argumentos básicos.

  Ø O primeiro deles é que o texto de Êxodo 20.4,5 não se tratava (ou não se trata) de uma proibição absoluta, mas condicionada pelas circunstâncias em que se encontravam os israelitas, visto que o próprio Deus lhes mandou construir imagens sagradas (25.17-22; 1 Rs 6.23-29; 7.23-28; 1Cr 22.8-13).

  Ø O segundo argumento desenvolveu a teoria da pedagogia divina, que é resumida da seguinte forma por dom Estevão Bettencourt: "...Os cristãos foram percebendo que a proibição de fazer imagens no Antigo Testamento tinha o mesmo papel de pedagogo (condutor de crianças destinado a cumprir as suas funções e retirar-se) que a Lei de Moisés em geral tinha junto ao povo de Israel. Por isso o uso das imagens foi-se implantando. As gerações cristãs compreenderam que. segundo o método da pedagogia divina, atualizada na Encarnação, deveriam procurar subir ao invisível passando pelo visível que Cristo apresentou aos homens; a meditação das fases da vida de Jesus e a representação artística delas se tornaram recursos com que o povo fiel procurou aproximar-se do Filho de Deus. Assim criaram a ideia de que, nas igrejas, as imagens tornaram-se a Bíblia dos iletrados, dos simples e das crianças, exercendo função pedagógica de grande alcance. É o que notam alguns escritores cristãos antigos: 'O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente'. O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados'.

  Ø O terceiro argumento criou a teoria da distinção de devoção ou culto: dulia (devoção aos santos e aos anjos), hiperdulia (devoção a Maria) e latria (culto prestado a Deus).

RESPOSTA APOLOGÉTICA

Deus proibiu seu povo de confeccionar e cultuar imagens, estátuas, ou qualquer outro objeto ou ser visto que os povos pagãos atribulam a esses artefatos de barro, madeira, ou de qualquer material corruptível, caráter religioso, acreditando, inclusive, que a divindade se fazia presente por meio de tal prática.

O Deus Todo-Poderoso instruiu seu povo a não cultuar imagens (Êx 20.23; 34.17), por isso as imagens que mandou confeccionar não tinham por objetivo elevar a piedade de Israel e muito menos serviam de modelo para reflexão ou conduta: eram apenas símbolos decorativos e representativos. É o caso da Arca da Aliança, dos querubins no tabernáculo e no templo, entre outros utensílios (1 Rs 6.23-29: 7.23-26,1 Cr 22.8-13) e ornamentos (1Rs 7.23-28). Essas figuras jamais foram adoradas ou veneradas ou vistas como objetos de devoção ou adoração. Se os filhos de Israel tivessem agido dessa forma, Deus mandaria destruir esses objetos, como aconteceu com a serpente de bronze que Moisés levantou no deserto e o povo a transformou em objeto de culto (2 Rs 18.4).

Quando analisamos esta questão na história de Israel na antiguidade (o povo hebreu que recebeu os mandamentos de Deus) e dos judeus religiosos de hoje, que procuram se manter fiéis a Deus, entendemos que, embora o Antigo Testamento proibisse, relativamente, a confecção de imagens, a adoração ou culto a essas imagens era absolutamente proibido: "Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto" (Êx 20.4b).

Em algumas sinagogas do século 3° (e em algumas mais recentes), encontramos pinturas de heróis da fé em seus vitrais, mas nunca veremos judeus orando, cultuando ou invocando Moisés, Abraão ou Ezequiel. Não existem argumentos e evidências que justifiquem o culto, a veneração ou a fabricação de imagens no Novo Testamento.

Considerando o segundo argumento apresentado pelos católicos, de que um dos objetivos da Igreja romana é ensinar a Bíblia ao povo por meio das imagens, especialmente aos menos alfabetizados, surgem-nos algumas perguntas:

a) Por que cultuar imagens, se o objetivo é ensinar a Bíblia?
b) Por que, após tantos anos, com milhares de católicos já alfabetizados, os fiéis ainda insistem em cultuar imagens?
c) Se as imagens fossem realmente o livro daqueles que não sabem ler. por que os católicos alfabetizados são tão devotos e apegados a elas?
d) Será que podemos desobedecer a Bíblia para superar uma deficiência de entendimento?
e) Onde está a base bíblica para a teoria da pedagogia divina?
f) Será que a encarnação do Verbo poderia servir de base para se fazer imagens dos santos e cultuá-los?
O verdadeiro cristianismo é fé exclusiva na obra do Senhor Jesus (Jo 3.16; Rm5.8; Ef 2.8,9; 1 Tm 2.5; Tt 2.11). É adoração única a Deus: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mt 4.11; Lc 4.8).

Quanto à teoria dos três tipos de devoção: dulia, hiperdulia e latria, perguntamos: Qual é a diferença entre dulia e hiperdulia? E qual é a diferença dessas duas em relação à latria?

A verdade é que os três termos se confundem. Dulia e hiperdulia podem estar envolvidos com latria. A distinção entre eles não define coisa alguma. As pessoas que se prostram diante da imagem de Conceição Aparecida, ou de São João, ou de São Sebastião ou de Jesus sabem que estão cultuando em níveis diferentes? Para elas não seria tudo a mesma coisa?

Imaginemos o procedimento de um católico romano bem instruído em um culto. De início, ele pretende cultuar São João. Então. dobra seus joelhos diante da imagem de tal “santo" e pratica a dulia. Depois, resolve cultuar Maria, deixando a dulia para praticar a hiperdulia. E. finalmente, decide prestar culto a Deus, colocando em prática a latria.

Não acreditamos que o povo católico romano saiba diferenciar esses três tipos de adoração. E, mesmo que soubesse, dificilmente conseguiria respeitar os limites de cada uma delas.
"O culto aos santos só começa a partir de cem anos, aproximadamente, depois da morte de Jesus, com uma tímida veneração aos mártires. A primeira oração dirigida expressamente à Mãe de Deus é a invocação sub tuum praesidium, formulada no fim do século 3° ou, mais provavelmente, no início do 4°. Não podemos dizer que a veneração dos santos - e muito menos a veneração da Mãe de Cristo - faça parte do patrimônio original".
Se o culto aos santos e a Maria fosse correto, João, que escreveu o último evangelho, no ano 100 d.C., aproximadamente, com certeza teria falado a respeito e incentivado tal prática. No entanto, nos adverte: “Filhinhos. guardai-vos dos ídolos” (1 Jo 5.21). [1]

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[1] Bíblia Apologética de Estudo

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